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domingo, 30 de outubro de 2011

Análise sobre o conceito de Pós-Modernidade.


O texto abaixo pode servir como base para os debates ocorrentes no início do Século XXI e o entendimento de uma época em que muitos acreditam que a modernidade já acabou e estamos vivenciando um outro estágio de sociedade. Acredita-se que estamos na era da informação; mas antes de avançar neste debate temos que entender as bases de uma sociedade moderna e o início de uma sociedade que alguns já denominam pós moderna.


A discussão com amigos e colegas acadêmicos ou do meio da comunicação sobre características que envolvem o conceito de Pós-Modernidade serviu de embasamento teórico para desenvolver a análise a seguir. Conforme debatido, dentre as características que compõe a Pós-Modernidade estão: a presença do Estado como mediador; a criação do ciberespaço; além de tecnologias e conceitos que envolvem a seara artística e cultural. Com efeito, tal estudo objetiva sua análise na última característica citada, a manifestação artística e cultural na “Pós-modernidade”.


O embasamento teórico de tal análise é substanciado na obra de Marcelo Coelho (2006), que por sua vez utiliza conceitos de Jürgen Habermas escritos em “Modernidade – Um Projeto Inacabado” e, além destes, Anthony Giddens (1990) e Jean-François Lyotard (1987). Desta forma, este estudo foca a abordagem numa vertente política, econômica e artística da sociedade inserida na Indústria Cultural, onde se coloca as manifestações artísticas e culturais como um produto da cultura de massa. Assim, Habermas critica o período chamado de pós-modernidade e põe em cheque a utilização do termo com o seguinte questionamento: será o postmodern uma divisa sob a qual, imperceptivelmente, se herdam as disposições que a modernidade cultural mobilizou contra si desde meados do século 19? (HABERMAS apud COELHO, 2006, p. 298)


Tal questionamento é uma reflexão consequente dos ideais Iluministas do século XVIII, onde o projeto de modernidade formulado neste período, além de atuar como um incentivo à arte e à produção cultural, também priorizou a produção intelectual. Destarte, a racionalização da cultura foi utilizada como uma característica fomentadora de realização do indivíduo. Atualmente esta realização do ser é pontuada pelas teorias da Indústria Cultural, que expõem o distanciamento entre aqueles que produzem e aqueles que consumem o conteúdo desta Indústria. No contexto da sociedade atual, esses últimos são ordinariamente denominados de “massa”.


A crítica ao conceito pós-moderno enfatiza que atualmente há a crença de que a realização pessoal tem seu caráter voltado à contemplação da vida e não à produção intelectual. Esse pensamento vai de encontro ao conceito iluminista, pois preconiza a intuição, o espírito religioso e as crenças como uma forma de conhecimento alternativo em detrimento da aferição da racionalidade no contexto atual.


Ainda extrai-se do texto de Coelho que


um reatamento diferenciado entre a cultura moderna e uma prática do dia-a-dia dependente de legados vitais, mas empobrecida pelo mero tradicionalismo, certamente só será alcançada se também a modernização social puder ser dirigida por outras vias não-capitalistas, se o mundo da vida puder desenvolver por si instituições limitadas pela própria dinâmica dos sistemas de ação econômico e administrativo. (ibidem, p. 306)


Baseado nas ideias de Habermas, o ciclo que envolve o conceito de modernidade ainda não está terminado e, consequentemente, tratar de sua era posterior é um debate precipitado. Tal fato ocorre porque baseado nas ideias Iluministas de produção artística e intelectual e, mais recentemente, no efeito de turba debatido por conceitos da Indústria Cultural, não se pode tratar do fim da modernidade porque o conceito esbarra em barreiras que se propôs a quebrar.


Em “As Consequências da Modernidade”, Giddens (1990) se refere a Jean-François Lyotard como um pesquisador responsável em primeiro popularizar a noção de pós-modernidade, enfocando questões de filosofia e da epistemologia. Para Lyotard quatro pontos caracterizam a pós-modernidade: deslocamento da fundamentação na epistemologia e da fé no progresso planejado humanamente; o fim das grandes narrativas, agora a história o passado é passado a limpo e o futuro é incerto; o fim do lugar privilegiado da ciência, onde ela acaba sendo condicionada ao mercado ao invés de humanizar a vida; vivemos num conjunto de eventos que não podemos compreender plenamente.


Se a sociedade está partindo para a pós modernidade isto significa que o caminho para o desenvolvimento social está levando os indivíduos das instituições da modernidade a um novo tipo de ordem social. Essas discussões que serviram de base para o conceito de modernidade, continuam presentes nas ações humanas e orientam a atuação nos poderes políticos, econômicos e culturais em vários pontos do planeta. Porém, é inegável perceber que existem movimentos que propõem mudanças de concepções nesses debates, forçados não somente por desastres publicados diariamente, mas pelas transformações que acontecem no seio da ciência – força motriz da modernidade.


As discussões que regeram a modernidade sofrem atualmente questionamentos incisivos, onde percebe-se que há uma inclinação para a busca de caminhos alternativos na relação ser humano x mundo. É inegável que certas transformações sociais já se apresentam como formas de ruptura ao estilo de vida construído durante o período moderno. Um dos fatores que ajudaram na busca por novos caminhos foi a inserção cada vez maior dos microcomputadores nos escritórios, lares e o atual desenvolvimento das comunidades presentes em rede; o que impulsionou a troca do comércio de bens pelo de serviços e informações. Apoiada nessa rede de informação, outro impulsionador da busca por alternativas civilizatórias é o crescimento do estágio de globalização das relações entre nações e culturas o que estaria bem próximo do desenvolvimento de uma cultura planetária única que pretende apagar as diferenças entre povos e nações; assim a constituição da “aldeia global” propala por McLuhan poderia ser concretizada.


Conclui-se que na ausência de uma sociedade crítica, a massa que prioriza a realização do indivíduo pelo não uso de ferramentas intelectuais, sustenta o conceito de modernidade. Desta feita, não se pode trabalhar o conceito de pós-modernidade sem antes ter rompido as premissas propostas pelo seu ciclo anterior. A pós-modernidade pode ser sentida ainda como um desejo de transformação civilizatório a que o homem está submetido no momento em que a ruptura da modernidade para a pós-modernidade já ocorreu ou está a ocorrer. O mundo pode estar sentindo angustia semelhante ao que passou momento em que a modernidade rompeu com a ideia de sociedade tradicional na Europa do século XII.


Referências

COELHO, Marcelo. Crítica cultural: teoria e prática. São Paulo: Publifolha, 2006.

GIDDENS, Anthony. The Consequences of Modernity. Cambridge: Polity Press, 1990.

LYOTARD, Jean-François. O Pós-Moderno Explicado às Crianças. Lisboa, Dom Quixote, 1987.

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