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domingo, 30 de outubro de 2011

COMPARTILHAMENTO DE ARQUIVOS NA INTERNET:ELEMENTOS QUE COMPÕEM ESSA ATIVIDADE.

O texto a seguir foi publicado em 2009 na Revista do Estudante da Universidade Federal de Sergipe, periódico que reúne artigos científicos sobre diversos temas, produzidos pelos estudantes da referida instituição.




Autores:
Fábio Nunes de Oliveira
Osmar da Silva Souza
Rodrigo Andrade Batista de Oliveira
E-mail: fabio.nunes@infonet.com.br
pororocas@gmail.com
rpzud@hotmail.com





Resumo
O trabalho discute os modelos da comunicação da web e as formas mais comuns de compartilhamento de arquivos. A princípio é apresentado o ambiente em que se dá essa comunicação, o ciberespaço e sua cultura; a seguir, é contextualizada historicamente a formação de comunidades virtuais e, conseqüentemente, o processo de compartilhamento de softwares, músicas e filmes, seguidos dos conceitos pertinentes que envolvem a questão. Finalmente, acrescentado o estudo do caso do exercício de compartilhar arquivos, com a finalidade de compreender quais elementos compõe esta atividade, como ela se iniciou e seus fins.

Palavras Chaves: Compartilhamento de Arquivos; P2P; Torrent´s; Downloads na rede; Pirataria; Cibercultura.
Abstract
This paper explains the question about communication on the internet, specifically about sharing musics, movies and softwares. According to this, the objective is explain the models of communication on web and the ways to share files. At first the atmosphere that this communication is presented, the cyberspace and ciberculture, then the historical presentation about virtual communities and the sharing process. Finally, adding the study of the costume of sharing files, intending to realize the elements that work in this exercise and when it’s has been initiated.

Key-Words: Sharing Files; P2P; Torrent’s; Downloads on web; Piracy; Ciberculture.

Introdução
Desde a pré-história, a troca e a difusão de informação entre os homens aconteciam de forma espontânea. Primeiro os desenhos, em seguida a tradição oral; na antiguidade os pergaminhos e, na era moderna, a imprensa foram alguns dos instrumentos utilizados para a multiplicação da informação.
Com a evolução dos meios de comunicação e com o advento do computador e da internet, essa troca de informações consolidou-se através de páginas on-line. Assim, a difusão de conteúdos foi aperfeiçoada criando também a possibilidade de compartilhamento de arquivos, sejam eles textos, imagens, softwares, músicas ou filmes.
No decorrer da história, sempre que um meio de comunicação surgiu, grandes dúvidas, medos e angústias foram percebidos. Neste contexto, a popularização da internet provocou um grande impacto na sociedade. “A cultura comunitária virtual acrescenta uma dimensão social ao compartilhamento tecnológico, fazendo da Internet um meio de interação social seletiva e de integração simbólica” (CASTELLS, 2003). Sua facilidade e proximidade permitiram aos que passaram a dominá-la, a quebra de barreiras físicas e temporais, de forma que bens culturais se diluem e se multiplicam com facilidade, chegando aos usuários rapidamente. Com a digitalização, compartilhar tais bens em forma de arquivos é um comportamento corriqueiro na rede, fazendo com que os produtos culturais ficassem mais acessíveis.

MATERIAL E MÉTODOS
Comunidades virtuais e suas ações no espaço
Pierre Levy (1999) demarca claramente o conceito de Ciberespaço e de Cibercultura. Para ele, o ciberespaço não se limita não apenas à infra-estrutura mundial da comunicação de computadores em rede, mas a todo o conjunto de informações e produtos que a mesma suporta, somados aos indivíduos que se utilizam desse local, interagindo com o mesmo e entre si. Ainda de acordo com Levy (1999) Cibercultura caracteriza-se como modos de vida e de comportamentos expressados e transmitidos na convivência do dia-dia, mediados pelas tecnologias de informação, unindo comunicação e informação via Internet.
Em meio a esse cenário convergente entre o real e o virtual encontram-se seres humanos que necessitam viver em sociedade, num processo de estímulo-resposta no espaço inserido: ciberespaço. Assim, a cibercultura pode nos levar à idéia de espaço social, onde são estabelecidas redes sociais. A cibercultura passa a fazer parte do cotidiano do indivíduo, que, em rede, passa a conviver com outros, permitindo assim uma relação de troca em fluxos contínuos e multidirecionais. Então, o sujeito passa a projetar para a rede ações de uma cultura humana e da comunidade em que está inserido: a arte, a história, as emoções, o conhecimento, enfim um conjunto de produções que pertence ao mundo real e torna-se acessível no mundo virtual. A conseqüência das relações entre os indivíduos em rede, num espaço sem fronteiras e aptos a interagir de forma ampla e irrestrita foi a formação de comunidades virtuais, que a partir de interesses comuns entre os indivíduos e organizações, constituíram várias formas de comunicação dentre as quais, a troca de arquivos.
Conforme o cenário estabelecido, não há diferença entre comunidades reais e comunidades virtuais. Segundo Galindo (1997), o ponto de partida está relacionado à máquina – computador – e o meio de acesso à rede - internet. Relacionado à organização, as comunidades virtuais, assim como as reais funcionam no sentido de coletividade, em que a área de atuação dos indivíduos nas comunidades está relacionada aos interesses coletivos e pessoais. Assim, desenvolvem práticas culturais que acontecem na raiz da comunidade.
Pode-se afirmar, baseado no contexto apresentado que as novas práticas culturais, desenvolvidas no ciberespaço, reforçam as novas formas de se viver em sociedade. Há um novo tipo de organização favorecedora de troca de conhecimento, marcado pela construção coletiva, em que o sujeito enquanto “eu” ou “ele” perde em contato físico, mas ganha em rapidez – capacidade de disseminação de fluxos comunicacionais no espaço-tempo do ciberespaço, que, vale ressaltar, são autônomos em relação ao tempo-espaço do mundo real.
Lemos (2002) afirma que é válido perceber o poder da internet na cultura atual, pois a cibercultura faz com que práticas sociais exercidas no mundo real e no mundo virtual dialoguem, pois várias comunidades que existiam no mundo real foram transpostas para o virtual, ampliando, o espaço para a discussão dos temas propostos. Os resultados dessa abertura são os milhares de fóruns, listas de discussão sobre os mais diferentes assuntos, onde pessoas com interesses semelhantes se organizam.
O aumento da largura de banda , que ganha mercado e abre espaço com um tráfego limpo e ininterrupto de sons e imagens, proporcionou uma troca maior de produtos culturais, orientado pela facilidade de reprodução e fidelidade das respectivas cópias. O surgimento de softwares de compartilhamento de arquivos pela internet oferece uma oportunidade maior dos usuários acessarem uma imensa quantidade de arquivos de música, filmes, softwares, etc. Atualmente os mais usados são os Torrent´s e o Emule obtidos de forma gratuita na rede.
Esse cenário permitiu a gratuidade na aquisição de bens culturais na rede. A partir desse momento, a pessoa compra um CD e grava suas músicas no computador no formato MP3 , transfere o filme para o computador e "crackeia” as licenças e chaves de ativação dos softwares comerciais , colocando-os à disposição de todos, para que os mesmos sejam adquiridos por outros indivíduos que tenham interesse em tê-los em seu acervo. No meio virtual é comum a aquisição dos bens culturais citados através da internet, onde o sujeito não tem autorização para sua reprodução e simplesmente “copia e cola”, constituindo assim em violação dos direitos autorais, mais conhecido como pirataria. Entretanto, ao contrário do que se possa imaginar:
Os direitos autorais continuam a ter sua vigência no mundo on-line, da mesma maneira que no mundo físico. A transformação de obras intelectuais para bits em nada altera os direitos das obras originalmente fixadas em suportes físicos. (GANDELMAN, apud MARTINS FILHO, 1998, p. 187).
Um exemplo de transgressão das leis dos direitos autorais é a maneira de utilização do padrão de compressão MP3 que é disponibilizado em larga escala na rede, onde as músicas são “copiadas” sem o pagamento dos direitos autorais. Hábito semelhante ocorre com obras cinematográficas, onde os filmes e DVDs são transportados para formatos acessíveis à rede, para assim serem disponibilizados a outros usuários. O exercício mais comum e um dos mais polêmicos de infração dos direitos autorais na Internet é a pirataria de software. O software vendido no mercado, geralmente tem a licença para o uso e permissão para cópia de backup.
No Brasil, a lei do direito autoral é de 1993, e aperfeiçoada, agregando a proteção autoral dos programas de computador na Lei no. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. A lei prevê pena de até dois anos de detenção, incluindo busca e apreensão das cópias, a quem comercializar ou copiar ilegalmente. Além disso, os responsáveis serão indiciados criminalmente por uso indevido de produtos e por violar os direitos autorais. O artigo 7° é o que mais contempla a existência de obras dispostas na internet, entretanto mesmo com os esforços legais a pirataria ainda está longe de ser combatida em nosso território.

Compartilhamento na rede: considerações e contribuições
A internet tem sua fase embrionária nas décadas de 60 e 70 do século XX. O governo norte-americano tinha como intenção desenvolver um sistema de comunicação entre os computadores das forças militares. A pesquisa possibilitou que informações pudessem ser transmitidas através de pulsos elétricos, e que chegassem a destinos distantes. Com sua evolução, a Internet passou de uma velocidade limitada e pouco disponível, como em seus primórdios, para o que é hoje conhecido como banda larga, saindo de meros bytes/segundo disponíveis apenas para instituições militares, para megabits, e até gigabits, em conexões disponíveis a população em geral.
O Bulletin Board System (BBS), uma das formas pioneiras de compartilhamento de arquivos via redes, foi muito difundido na década de 80 a meados da década de 90 entre pessoas do meio da informática. Os BBSs trocavam entre si mensagens através de redes externas interligadas entre poucos computadores. A troca de mensagens era feita geralmente através de ligações telefônicas discada, e então era realizada uma ligação entre vários BBS de forma organizada.
Com a evolução da internet, as trocas de arquivos foram intensificadas. No final da década de 90, surgiram os primeiros softwares específicos para compartilhamento de arquivos na rede. O Napster, que transferia apenas músicas, foi o primeiro software utilizado para este fim, surgiu em 1999 e ganhou popularidade em meados do ano 2000. Em 2001, começou a sofrer uma série de ações legais, o que fez com que chagasse ao seu fim no mesmo ano. Logo após o fechamento do Napster, foram criados diversos outros softwares, dentre eles o Kazaa e o Emule, que além de músicas, transferem outros tipos de arquivos como fotos e vídeos.
A idéia de difusão de produtos culturais na Internet, na verdade surgiu a partir do conhecimento dos chamados Hackers. No sentido original da palavra, o Hacker é alguém que usa seus conhecimentos para “ajudar” outros, direta ou indiretamente. Eles foram os principais responsáveis. Assim, segundo Castells,
A cultura Hacker desempenha um papel axial na construção da Internet por duas razões: pode-se sustentar que é o ambiente fomentador de inovações tecnológicas capitais mediante a cooperação e a comunicação livre, e que faz a ponte entre o conhecimento originado na cultura tecnomeritocrática e os subprodutos empresarias que difundem a Internet na sociedade em geral. (CASTELLS, 2003, p.37-38)
Ou seja, Castells (2003) analisa através de um outro ponto de vista a questão do voluntarismo em rede, ao falar que na internet há uma produção de conteúdo onde o reconhecimento se torna mais valorizado que o valor monetário embutido na ação.
O autor enfatiza a chamada cultura do dom, onde a liberdade de produção combinada à cooperação alheia, leva à economia do dom. Para ele um hacker divulga sua contribuição para o desenvolvimento do software pela Net na expectativa de reciprocidade. Nesse contexto é importante constatar que:
A cultura do dom no mundo hacker distingue-se de outras análogas. Prestígio, reputação e estima social estão ligados à relevância da doação feita à comunidade. Assim, não se trata apenas da retribuição esperada pela generosidade, mas da satisfação imediata que o hacker tem ao exibir sua engenhosidade para todos. Além disso, há a gratificação envolvida no objeto ofertado. Ele não tem apenas valor de troca, tem também valor de uso. O reconhecimento vem não só do ato de doar, como da produção de um objeto de valor (software inovador). (CASTELLS, 2003, p. 43-44)
Na cultura hacker existe um sentimento de cooperação, onde uma estrutura virtual dita as regras em torno de costumes e princípios de organização social. Mesmo alheia a punições do mundo real, a cultura hacker não é esse objeto danoso propagado pela mídia, atualmente este conceito denomina grupos que se utilizam dos seus conhecimentos de forma pejorativa. Mas em sua premissa essa cultura surgiu com o intuito da criação de softwares livres ou de código aberto.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A “Economia” do Gratuito: o compartilhamento na rede.
As comunidades, os grupos de discussão na internet criaram uma nova maneira de inter-relação. Essa nova forma de interagir iniciou-se através de um fato curioso e, que até a popularização da internet na sociedade moderna parecia inconcebível: a economia do gratuito. Segundo Anderson “se alguém dissesse há 10 anos que as pessoas que escrevem e publicam na internet fariam isso de graça, ninguém acreditaria” . Para ele, as pessoas ainda são guiadas por vontade própria e, o compartilhamento na rede fez com que se perdesse um pouco da relação de valores monetários.
No mundo real, a necessidade de embutir valor financeiro a uma ação é mais presente. Já no virtual, a idéia de mérito aparece mais do que na realidade e também se mostra mais forte que o fator econômico. Dessa forma, o reconhecimento pela ação muitas vezes torna-se mais satisfatório do que o possível valor financeiro dela. Assim, Anderson afirma que:
Pode ser por reputação, atenção, expressão, respeito, sentido de comunidade. Há vários motivos para as pessoas se expressarem e contribuírem. Não sabíamos o quão abrangentes e interessantes esses incentivos eram porque não tínhamos dado essas ferramentas antes. (Super Interessante, 2007, pág. 30)
Esse exemplo é facilmente notado em fóruns de discussão como o do site de downloads Downz , onde os membros disputam quem recebe mais agradecimentos por serviços prestados aos outros usuários.
Já existiram várias tentativas de barrar a distribuição em cadeia pela rede, mas medidas como as impostas aos famosos e pioneiros softwares P2P (Peer to Peer – “de parceiro a parceiro”), como o Napster e o Kazaa, não chegam a ser eficientes em sua totalidade. Um desses softwares usados atualmente é o Emule. Assim como os outros, o seu funcionamento é simples: quando procurado um arquivo através do programa, o computador do indivíduo vasculha em computadores de outros usuários conectados e que tenham o mesmo software de compartilhamento instalado. Ao encontrar o arquivo desejado (ou parte dele), o programa faz o download diretamente do(s) outro(s) usuário(s); quanto maior o número de pessoas conectadas, contendo o arquivo desejado, mais veloz o download. Os programas de compartilhamento procuram os arquivos, mostrando quais usuários o possuem em seus micros e transferindo o arquivo de um indivíduo para outro.
Devido a esse tipo de compartilhamento, o Kazaa teve que pagar uma multa estimada em mais de 100 milhões de dólares à indústria fonográfica. O valor foi estabelecido através de um acordo judicial entre a empresa e algumas das principais gravadoras do mercado, como EMI e a Universal Music. Além disso, no acordo firmado, o Kazaa teve que se transformar em um serviço legal, ou seja, os usuários do programa têm que pagar para baixar arquivos licenciados (Acessada no site Infowester) .
Atualmente, muitos usuários estão utilizando sites como o Rapidshare e o 4Shared para compartilhar e baixar arquivos. Nesses sites, os usuários fazem o upload de um determinado conteúdo, onde este fica alojado em um possível servidor da empresa e disponível por certo tempo para download. Dessa forma, o compartilhamento não ocorre através de redes P2P.
Convém destacar que a força das redes (P2P) está em não se estabelecer em apenas uma máquina, mas na rede de computadores ligadas a elas. O serviço vasculha todos os discos rígidos conectados à pasta de compartilhamento em busca do objeto de pesquisa desejado. A interligação de muitos PCs é peça-chave para que os downloads tenham boa velocidade. Assim, para que o download de um arquivo não se prolongue por muito tempo, o sistema o distribui entre os diversos usuários que contêm a mesma versão do arquivo.
A partir desta base, as redes de compartilhamento on-line podem ser divididas em dois tipos de tecnologia: P2P e Torrent. Se a tradicional P2P, mantém sua popularidade esmagadora entre usuários domésticos de tais serviços, a tecnologia Torrent ganha espaço como sistema de distribuição a ser usado em redes de compartilhamento. Redes Torrent podem ser encaradas como uma evolução das redes P2P tradicionais. Ao invés de passar o arquivo inteiro para outro usuário, as redes Torrent “quebram” ele em diversos pacotes menores que o original. Ao se conectar aos outros PCs da rede, o sistema transfere determinados pacotes de diversas fontes com maior velocidade.
Nesse tipo de compartilhamento, enquanto o usuário faz o download do arquivo para o próprio computador, ele também envia dados, ou seja, também faz o upload. Esse sistema de compartilhamento exige que para se obter uma melhor taxa de download, o usuário também esteja enviando arquivos. Ou seja, funciona como uma política de troca: o usuário também tem que ceder arquivos para usufruir de um melhor recebimento, é necessário compartilhar.

Conclusões
Diante da imensa produção de bens culturais nos últimos tempos, da falta de uma fiscalização ativa que garanta proteção contra a cópia desses bens e, aliado a isso, o interesse de uma imensa quantidade de atores desconhecidos em se tornarem conhecidos, a prática do compartilhamento de cultura em forma de arquivos se tornou intensa. O simples fato de possuir um bem cultural desperta no usuário a vontade de compartilhar, fazendo com que este bem seja conhecido pelo maior números de pessoas possíveis e de forma que todas saibam que o pioneiro dessa distribuição é um determinado indivíduo.
Aliado a esse cenário, vem a facilidade e a comodidade que os indivíduos encontram para “baixar” o arquivo desejado na rede. Assim, o simples fato de “buscar”, oferece ao usuário, diversas opções de acesso ao conteúdo, que muitas vezes não está disponível, nem em sua cidade, nem em seu país. Além disso, como o indivíduo não paga pelo download, a gratuidade do “baixar” leva ele a procurar esta opção, pois, um dos poucos custos impostos é meramente um agradecimento. Estes dois fatores já o motivam suficientemente, mesmo sabendo que o ato que executa é ilegal, considerado pirataria.
A essa prática de disponibilizar e “baixar” arquivos pela internet, não se limita apenas àqueles que já dominam as ferramentas. Diariamente esse processo vai ganhando cada vez mais novos adeptos, na medida em que mais indivíduos têm acesso ao computador, à rede, e às diversas formas de compartilhamento de arquivos, tornando-se cada vez maior o número de produtos compartilhados. Porém, esses novos adeptos desconhecem regras existentes no mundo real que interferem no mundo virtual, a de que pirataria é crime e quem a pratica pode ser enquadrado de acordo aos preceitos legais. Apesar do ponto de vista jurídico, ser uma ilegalidade, e os governos tentarem barrar a expansão desta prática, ela se configura cada vez mais aperfeiçoada e difundida, fazendo valer esse sentido de coletividade.

Referências Bibliográficas
CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.
GALINDO, Cáceres Jesús. Comunidad Virtual y Cibercultura, Epoca II, vol III, no 5, Colima, 1997.
GUIMARÃES, Mário José L., A Cibercultura e o Surgimento de Novas Formas de Sociabilidade, http://www.cfg.ufh.br/_guima/ciber.html. Acessado em 19/12/2007.
LÉVY, Pierre, Inteligência Colectiva: por uma antropologia do ciberespaço, Loyola, São Paulo, 1998.
LÉVY, Pierre (1998), O que é o Virtual?: Ed. 34, São Paulo, 1998.
LEMOS, André, Cibercultura:tecnologia e vida social na cultura contemporânea, Editora Sulina, Porto Alegre, 2002.
PAESANI, Liliana Minardi. Direito de Informática. 4. ed. São Paulo, Atlas S.A.,2002 p. 135.
MARTINS FILHO, Plínio(1998). Direitos autorais na Internet. Disponível em: http://www.ibict.br/cienciadainformacao/include/getdoc.php?id=718&article=400&mode=pdf Acessado em 15/12/2007.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Software livre: a luta pela liberdade do conhecimento. Amadeu da Silveira. - São Paulo : Editora Fundação Perseu Abramo, 2004. - (Coleção Brasil Urgente)
SILVA, Adelina, 2005, Mundos Reais, Mundos Virtuais. Os Jovens nas salas de chat, Revista TEXTOS de la CiberSociedad, 6. Temática Variada. Disponível em http://www.cibersociedad.net Acessado em 12/01/2008.
VIANNA, Cynthia Semíramis Machado. Dos Direitos Autorais Relativos à Distribuição de Software na Internet. In: REINALDO FILHO, Demócrito (Org). Direito da Informática
SuperPapo, Revista Superinteressante. Editora Abril. Ed.246 - Dez /2007. Pág. 29 a 31.

Análise sobre o conceito de Pós-Modernidade.


O texto abaixo pode servir como base para os debates ocorrentes no início do Século XXI e o entendimento de uma época em que muitos acreditam que a modernidade já acabou e estamos vivenciando um outro estágio de sociedade. Acredita-se que estamos na era da informação; mas antes de avançar neste debate temos que entender as bases de uma sociedade moderna e o início de uma sociedade que alguns já denominam pós moderna.


A discussão com amigos e colegas acadêmicos ou do meio da comunicação sobre características que envolvem o conceito de Pós-Modernidade serviu de embasamento teórico para desenvolver a análise a seguir. Conforme debatido, dentre as características que compõe a Pós-Modernidade estão: a presença do Estado como mediador; a criação do ciberespaço; além de tecnologias e conceitos que envolvem a seara artística e cultural. Com efeito, tal estudo objetiva sua análise na última característica citada, a manifestação artística e cultural na “Pós-modernidade”.


O embasamento teórico de tal análise é substanciado na obra de Marcelo Coelho (2006), que por sua vez utiliza conceitos de Jürgen Habermas escritos em “Modernidade – Um Projeto Inacabado” e, além destes, Anthony Giddens (1990) e Jean-François Lyotard (1987). Desta forma, este estudo foca a abordagem numa vertente política, econômica e artística da sociedade inserida na Indústria Cultural, onde se coloca as manifestações artísticas e culturais como um produto da cultura de massa. Assim, Habermas critica o período chamado de pós-modernidade e põe em cheque a utilização do termo com o seguinte questionamento: será o postmodern uma divisa sob a qual, imperceptivelmente, se herdam as disposições que a modernidade cultural mobilizou contra si desde meados do século 19? (HABERMAS apud COELHO, 2006, p. 298)


Tal questionamento é uma reflexão consequente dos ideais Iluministas do século XVIII, onde o projeto de modernidade formulado neste período, além de atuar como um incentivo à arte e à produção cultural, também priorizou a produção intelectual. Destarte, a racionalização da cultura foi utilizada como uma característica fomentadora de realização do indivíduo. Atualmente esta realização do ser é pontuada pelas teorias da Indústria Cultural, que expõem o distanciamento entre aqueles que produzem e aqueles que consumem o conteúdo desta Indústria. No contexto da sociedade atual, esses últimos são ordinariamente denominados de “massa”.


A crítica ao conceito pós-moderno enfatiza que atualmente há a crença de que a realização pessoal tem seu caráter voltado à contemplação da vida e não à produção intelectual. Esse pensamento vai de encontro ao conceito iluminista, pois preconiza a intuição, o espírito religioso e as crenças como uma forma de conhecimento alternativo em detrimento da aferição da racionalidade no contexto atual.


Ainda extrai-se do texto de Coelho que


um reatamento diferenciado entre a cultura moderna e uma prática do dia-a-dia dependente de legados vitais, mas empobrecida pelo mero tradicionalismo, certamente só será alcançada se também a modernização social puder ser dirigida por outras vias não-capitalistas, se o mundo da vida puder desenvolver por si instituições limitadas pela própria dinâmica dos sistemas de ação econômico e administrativo. (ibidem, p. 306)


Baseado nas ideias de Habermas, o ciclo que envolve o conceito de modernidade ainda não está terminado e, consequentemente, tratar de sua era posterior é um debate precipitado. Tal fato ocorre porque baseado nas ideias Iluministas de produção artística e intelectual e, mais recentemente, no efeito de turba debatido por conceitos da Indústria Cultural, não se pode tratar do fim da modernidade porque o conceito esbarra em barreiras que se propôs a quebrar.


Em “As Consequências da Modernidade”, Giddens (1990) se refere a Jean-François Lyotard como um pesquisador responsável em primeiro popularizar a noção de pós-modernidade, enfocando questões de filosofia e da epistemologia. Para Lyotard quatro pontos caracterizam a pós-modernidade: deslocamento da fundamentação na epistemologia e da fé no progresso planejado humanamente; o fim das grandes narrativas, agora a história o passado é passado a limpo e o futuro é incerto; o fim do lugar privilegiado da ciência, onde ela acaba sendo condicionada ao mercado ao invés de humanizar a vida; vivemos num conjunto de eventos que não podemos compreender plenamente.


Se a sociedade está partindo para a pós modernidade isto significa que o caminho para o desenvolvimento social está levando os indivíduos das instituições da modernidade a um novo tipo de ordem social. Essas discussões que serviram de base para o conceito de modernidade, continuam presentes nas ações humanas e orientam a atuação nos poderes políticos, econômicos e culturais em vários pontos do planeta. Porém, é inegável perceber que existem movimentos que propõem mudanças de concepções nesses debates, forçados não somente por desastres publicados diariamente, mas pelas transformações que acontecem no seio da ciência – força motriz da modernidade.


As discussões que regeram a modernidade sofrem atualmente questionamentos incisivos, onde percebe-se que há uma inclinação para a busca de caminhos alternativos na relação ser humano x mundo. É inegável que certas transformações sociais já se apresentam como formas de ruptura ao estilo de vida construído durante o período moderno. Um dos fatores que ajudaram na busca por novos caminhos foi a inserção cada vez maior dos microcomputadores nos escritórios, lares e o atual desenvolvimento das comunidades presentes em rede; o que impulsionou a troca do comércio de bens pelo de serviços e informações. Apoiada nessa rede de informação, outro impulsionador da busca por alternativas civilizatórias é o crescimento do estágio de globalização das relações entre nações e culturas o que estaria bem próximo do desenvolvimento de uma cultura planetária única que pretende apagar as diferenças entre povos e nações; assim a constituição da “aldeia global” propala por McLuhan poderia ser concretizada.


Conclui-se que na ausência de uma sociedade crítica, a massa que prioriza a realização do indivíduo pelo não uso de ferramentas intelectuais, sustenta o conceito de modernidade. Desta feita, não se pode trabalhar o conceito de pós-modernidade sem antes ter rompido as premissas propostas pelo seu ciclo anterior. A pós-modernidade pode ser sentida ainda como um desejo de transformação civilizatório a que o homem está submetido no momento em que a ruptura da modernidade para a pós-modernidade já ocorreu ou está a ocorrer. O mundo pode estar sentindo angustia semelhante ao que passou momento em que a modernidade rompeu com a ideia de sociedade tradicional na Europa do século XII.


Referências

COELHO, Marcelo. Crítica cultural: teoria e prática. São Paulo: Publifolha, 2006.

GIDDENS, Anthony. The Consequences of Modernity. Cambridge: Polity Press, 1990.

LYOTARD, Jean-François. O Pós-Moderno Explicado às Crianças. Lisboa, Dom Quixote, 1987.